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O futuro da ficção no século XXI / orador: António-Pedro Vasconcelos, com moderação de Francisco José Viegas (Parte I)

   
 
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Autor: Fundação de Serralves
Submetido por: Jccarvalho
Categoria: Artes → Artes Plásticas
Data: 2011-06-11
Descrição:
A grande ficção no Ocidente criou-se à volta de meia dúzia de temas e mitos. Há várias teorias sobre isso: uns apontam para umas dezenas de paradigmas, outros, como Queneau, dizem que há apenas dois: a Ilíada e a Odisseia. Mas todos concordam que, ao longo dos séculos, os mesmos mitos e temas se repetem, renovam e declinam em formas diferentes, em épocas diferentes, em civilizações diferentes e por meios de expressão diferentes. Resumindo e simplificando: depois de Homero e da tragédia grega, e após um longo período em que a Igreja, na Idade Média, consolidou o seu poder através da elaboração da fantástica ficção da Vida e da Paixão de Cristo, a escultura e a pintura em Florença e depois em Roma, que recuperam o humanismo greco-romano, o romance com Cervantes ou Rabelais, que inventam, depois do bloqueio à imaginação imposto pelo Cristianismo, o realismo e a sensualidade, o teatro, na Inglaterra do século XVII, que descobre o Mal, a ópera, nos finais do século XVIII, depois novamente o grande romance no século XIX, que convive novamente com a ópera, de Verdi até Puccini. E, no século XX, o cinema. Acontece que estas épocas de fulgor são geralmente curtas: as novas formas artísticas evoluem em períodos que correspondem sensivelmente à idade de um homem - 80 anos - e sofrem a mesma evolução - juventude, maturidade e declínio -, e muitas vezes, há um génio imenso que incarna em si próprio essas três idades: Ticciano, Tolstoi, Verdi, John Ford, que vivem os anos suficientes para passar por todas estas fases. Põe-se agora o problema de saber qual o futuro da ficção (das ficções federadoras, entenda-se), numa época em que a sociedade se está a transformar, de uma comunidade, num somatório de indivíduos, por efeito da net e do mundo em rede, onde todos comunicam mas onde não há rostos, e quando a própria ideia europeia de Nação se diluiu numa Europa que, paradoxalmente, perdeu qualquer identidade.
Palavras-Chave:
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